Alfredo Solar, gerente geral da Atlas Renewable Energy em Santiago do Chile, fala sobre o valor que as startups agregam ao setor de energia renovável na América Latina.

P. Qual é o valor que os novos negócios agregam à Atlas e ao setor de energia renovável?

R. A Atlas é uma empresa líder em energia solar e crescemos de acordo com os padrões da indústria. Percebemos que, ao contrário de um provedor tradicional, as startups são mais inovadoras. Portanto, tê-las é uma forma de resolver problemas de maneira criativa, de se adaptar a novos desafios e de ser altamente inovador. Em suma, não acreditamos em soluções rígidas, queremos incorporar novas visões, ideias e tecnologias.

P. Como as soluções oferecidas por uma startup são menos rígidas?

R. Em geral, elas são empresas que estão crescendo, que se concentram em seu próprio desenvolvimento e, portanto, estão abertas a novas soluções. Elas não tentam vender um produto padrão, elas tentam acompanhá-lo para encontrar uma solução para o seu problema e evoluir com a empresa até encontrar a resposta ideal.

 P. Quais desafios o setor de energia renovável enfrenta que podem ser resolvidos com o apoio de startups?

R. Existem muitos. Por exemplo, questões relacionadas ao impacto ambiental, à temperatura do painel, à erosão do solo onde as usinas estão instaladas. Há também desafios relacionados à preservação da vegetação.

Há também questões relacionadas ao uso de recursos. Por exemplo, cálculos de radiação, algoritmos operacionais que monitoram como os painéis seguem o sol, equipamentos elétricos mais modernos, cabos de transformadores, automação para melhor desempenho e operação mais eficiente das usinas, tanto em seu projeto de construção quanto em sua operação, para obter um percentual adicional de geração de energia.

P. Como as startups podem contribuir para a operação da Altas Renewable Energy?

R. Estamos convocando as startups para oferecer soluções para o desenvolvimento da indústria solar. Queremos trazê-las a bordo para que possamos desenvolver novas tecnologias em conjunto ou testar as tecnologias que elas criaram. Não estamos procurando startups que estejam apenas apresentando uma ideia. Procuramos por empresas que já tenham um produto. Nossa intenção é dar a elas a possibilidade de testar aquele produto, serviço ou tecnologia em escala real nas plantas da Atlas em qualquer lugar da América Latina.     

P. Como vocês têm colaborado com as startups no Chile?

R. Temos um laboratório de testes em uma de nossas plantas. Reservamos uma área específica para esse laboratório e testamos coisas diferentes. Por exemplo, variações de painéis fotovoltaicos, novas tecnologias e tipos de solo, ou seja, o tipo de solo que reflete a luz solar para que os painéis a captem melhor.

Algumas startups sugeriram nos ajudar a melhorar o tipo de solo e a reflexão do solo, alterando os materiais utilizados. Também temos iniciativas em termos de limpeza. Por exemplo, estamos incorporando robôs que limpam os painéis sem usar água. Essas são áreas em que incorporamos tecnologias que não são tradicionais no setor de energia renovável.

P. O que você recomenda que as startups façam para que a Atlas as considere como parceiros?

R. A primeira coisa é incentivá-las a participar. Elas devem entrar em contato conosco, mostrar os produtos que possuem e nos dizer como poderíamos melhorar nossa operação com sua tecnologia, produtos ou serviços. A partir daí, a próxima etapa é avaliar suas propostas. Não há qualificações: buscamos tudo que possa contribuir de alguma forma. Estamos interessados em medir e testar a eficiência, a eficácia e a efetividade das soluções que elas nos oferecem.

 P. O que é o Open Innovation Challenge que a Atlas está convidando para participar, junto com a organização Endeavor?

R. É uma convocação para receber propostas de soluções de startups que nos ajudem diminuir custos e melhorar nossa produção; que nos permitam, por exemplo, prever com mais precisão a quantidade de energia que uma usina vai gerar. Também estamos buscando soluções que nos ajudem a operar com mais eficiência, seja reduzindo custos ou usando menos recursos, como robôs de lavagem a seco, que são especialmente úteis em lugares como o deserto chileno, onde a água é escassa. Outro exemplo são as soluções que nos permitem monitorar as usinas remotamente.

Em geral, eu diria que a convocação foi muito boa. Recebemos inscrições de empresas de diferentes partes do mundo: europeias, americanas e asiáticas. Quanto ao prêmio, planejamos oferecer USD 20.000 para empresas que se qualificarem para testar suas tecnologias com a Atlas. Esse dinheiro será usado para executar um projeto-piloto em um período de um a seis meses. Se o projeto-piloto for bem-sucedido, temos mais de vinte usinas solares onde ele pode ser implementado em grande escala.

 P. Qual é a participação da Endeavor no Open Innovation Challenge?

R. A Endeavor tem potencial para descobrir, atrair, estruturar e sistematizar ideias inovadoras. Teria sido muito difícil para nós fazer isso diretamente. A Endeavor é especializada em aproximar e conectar startups com as empresas que necessitam dos serviços. No nosso caso, a Atlas é uma plataforma de investimento em energia renovável. Nosso objetivo é o investimento e o desafio é desenvolver uma tecnologia benéfica e ecologicamente correta. A ideia é deixar um legado positivo.

P. Quão avançados estamos na América Latina em relação às tecnologias que vocês precisam na Atlas?

R. Todas essas tecnologias foram criadas na Europa, onde estão em desenvolvimento há muitos anos e há muitas pessoas pensando em melhorar e otimizar o setor. Acho que a América Latina está pronta; é um continente que está crescendo enormemente na instalação de energia renovável. Há alguns países pioneiros: Brasil, México e Chile. Outros países estão apenas começando, como o Peru e a Colômbia, e têm o maior potencial de crescimento em energia renovável na América Latina.

Somos uma empresa que nasceu na América Latina. Agora estamos expandindo para a Europa, começando pela Espanha. Vamos incorporar os produtos e serviços das startups que consideramos úteis em todas as nossas usinas. O Brasil é o país onde a Atlas tem o maior número de usinas em operação e onde estamos muito interessados em testar novos serviços. Chile, México e Uruguai são outros países que podemos testar.

P. Como estamos indo na América Latina quando se trata de inovação no setor de energia renovável?

R. A América Latina é um dos continentes com maior crescimento em tecnologias renováveis. A Europa, de alguma forma, já percorreu esse caminho e os espaços são bem menores. Lá, é cada vez mais complexo instalar novas usinas renováveis.

A América Latina tem alguns países que começaram primeiro (Brasil, Chile e México), e outros que estão apenas começando a jornada e têm tudo para crescer. Esse é o caso da Colômbia, onde a penetração das energias renováveis pode estar em torno de 1%. Os países latino-americanos têm o potencial para crescer até a meta que definirem. O Chile já está com 20% de energia renovável e planeja ir muito além. Talvez o caso extremo seja o Uruguai, onde quase toda a energia consumida é renovável. O país não utiliza combustíveis fósseis para gerar eletricidade.

P. Como você vê a América Latina em termos de contribuição de ideias inovadoras?

R. Acho que é uma questão complicada de mensurar. Haverá cada vez mais apoio a um setor como o de energias renováveis, que tem crescido exponencialmente e que acredito ser o setor que mais crescerá no mundo. É impressionante.

Há jovens com iniciativas que acompanham o desenvolvimento do setor de energia renovável com ideias e de olho nas áreas em que há oportunidades. Estamos abertos a propostas e, em qualquer congresso ou reunião, recebemos ideias de qualquer pessoa que se aproxime de nós e ofereça novas ideias.

Incentivo aqueles que estão à frente de startups. Ninguém deve achar que seu produto ou serviço não é importante. Eles devem saber que existem espaços para desenvolver projetos em conjunto. Uma boa ideia, que pode resolver parcialmente um problema, pode acabar se tornando uma ótima solução, desde que as pessoas ousem. O segredo é ter iniciativa. Não existem ideias ruins. Qualquer coisa bem executada pode funcionar e queremos oferecer o espaço para testar ideias.

P. Conte um pouco sobre o Atlas Innovation Lab no Chile.

R. Fica em uma usina no Chile, muito perto de Santiago. É uma usina de 120 megawatts conectada à rede e operacional. Decidimos que naquela usina, que opera em grande escala, poderíamos alocar um segmento, uma seção, para diferentes tipos de testes. Fizemos isso há cerca de três anos.

Quando surgiram os módulos bifaciais em laboratório (módulos que captam a luz solar não só na face superior, mas também na inferior), pudemos testar diferentes tipos e ver sua eficiência.

Os painéis seguem o sol conforme ele se move durante o dia. Mas há muitas variáveis que influenciam sua eficiência, como a inclinação do terreno, a sombra de um painel sobre outro ou a sombra que uma colina pode projetar sobre a usina. Percebemos que havia a possibilidade de melhorar se tivéssemos um algoritmo específico para cada fileira de painéis e não um genérico para toda a usina. Isso nos proporcionou um ou dois por cento a mais de geração de energia. Podemos usar o laboratório que temos no Chile ou adaptar qualquer uma de nossas outras usinas para fazer os testes.

Em resumo, na Atlas, estamos abertos a fazer experimentos com startups e qualquer pessoa que tenha uma ideia que acreditamos que possa contribuir para a causa da geração de energia renovável que seja amigável ao planeta e lucrativa para a Atlas Renewable Energy.

Em parceria com a Castleberry Media, estamos comprometidos em cuidar do nosso planeta, portanto, este conteúdo é responsável com o meio ambiente.

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