O número de PPAs bilaterais de energia renovável na América Latina alcançou novos recordes, mas essa prática ainda não foi plenamente adotada. Com a pressão cada vez maior sobre as corporações para encontrar soluções de energia alternativas, sustentáveis e econômicas, esperamos que essas estruturas inovadoras se estabeleçam como uma característica transformacional no cenário energético da região – mas encontrar o parceiro certo para guiar as empresas quanto as escolhas disponíveis, será essencial para que essa tendência se estabeleça.

Nos últimos anos, a América Latina presenciou um grande aumento nos contratos corporativos de aquisição de energia (PPAs), nos quais as empresas compram eletricidade diretamente de geradores independentes, e não de uma concessionária. No ano passado, empresas da região adquiriram uma quantia recorde de 2GW de energia limpa através dessas estruturas – três vezes a quantidade adquirida em 2018.

Com o crescimento do mercado de energia renovável e armazenamento de energia na América Latina, estruturas mais inovadoras estão sendo disponibilizadas para oferecer PPAs corporativos a um maior número de clientes, com um número reduzido de contratos “take-or-pay” e maior ênfase em acordos focados na entrega, que visam servir à carga do consumidor.

Como funcionam os PPAs corporativos?

A capacidade de servir a carga do consumidor é essencial para o crescimento de PPAs. As empresas de serviços públicos tradicionais da região ainda são ainda entidades fortemente regulamentadas, cujo modelo de negócios nem sempre possui os mecanismos ou incentivos necessários para responder às demandas dos clientes por energia renovável. 

Enquanto que algumas companhias globais optaram por produzir sua própria energia renovável – por exemplo, firmas de base de dados – essa opção nem sempre é possível, em grande parte porque diverge do foco principal do seu negócio, e porque o terreno necessário para construir um projeto local que supra as necessidades de energia da companhia, pode não estar disponível.

É aqui que entram os PPAs. Em resumo, um PPA é um contrato para comprar energia diretamente de um gerador de energia, em vez de usar as tarifas de uma Companhia de Distribuição, frequentemente por um preço fixo. Embora cada contrato seja diferente e adaptado para atender às necessidades da empresa que compra a energia, os princípios básicos de cada tipo de PPA permanecem os mesmos.

PPAs físicos são a forma tradicional da estrutura, onde o comprador de energia firma um contrato de longo-termo pela energia gerada em um projeto renovável, recebendo entregas físicas da energia produzida. 

Em jurisdições onde a venda direta de energia não é permitida, ou onde um PPA físico não é a solução ideal, existe a alternativa de um PPA virtual. Este é um contrato estritamente comercial, sob o qual o comprador corporativo adquire eletricidade de um vendedor de energia renovável por uma taxa negociada. A energia gerada pelo vendedor é vendida na rede local por um preço de atacado, e o comprador e vendedor então negociam a diferença entre o preço negociado e o preço local de atacado, usando um contrato para acordo de diferença. Embora pareça mais exótico, em essência ele alcança exatamente os mesmos objetivos.

Por que as empresas estão adotando PPAs?

Esperamos ver o número de empresas que adotam PPAs de energia renovável subindo cada vez mais nos próximos anos, por diversos motivos.

Primeiro, um número crescente de empresas estão se conscientizando quanto a sua responsabilidade pelo aquecimento global – uma ameaça desproporcional para a América Latina. A região, que possui alguns dos recursos ambientais mais sensíveis do mundo, está se organizando contra a crise climática, com o mesmo ativismo verde e jovem que tornou famosa Greta Thunberg, se transformando em uma presença regular em cidades desde o Rio de Janeiro até Bogotá.

Para muitas empresas, o uso de energia renovável é uma forma de se conectar à base de consumidores ecologicamente conscientes, e um número crescente de empresas estão se comprometendo a reduzir suas emissões de acordo com o Tratado de Paris

Mas não são apenas fatores de sustentabilidade que estão impulsionando a tendência de adoção de PPAs em energias renováveis na América Latina. Ao contrário dos EUA e Europa, onde a energia renovável foi altamente subsidiada para encorajar sua produção, na América Latina ela é frequentemente a fonte de energia mais econômica para muitas localizações e mercados, sem subsídios. Graças aos contínuos avanços tecnológicos, essa tendência de preços parece duradoura, e cada vez mais empresas querem aproveitar fontes renováveis pela vantagem de custos menores.

Preços baixos são relevantes, mas com países como a Argentina, Brasil, Chile, Colômbia e Peru criando regulamentações que facilitam o acesso de consumidores à PPAs bilaterais e mercados à vista, empresas também podem buscar nesses acordos vantagens econômicas e financeiras de longo prazo

Embora cada contrato seja feito sob medida, em geral, quanto maior a duração do PPA, menores os preços que o vendedor pode disponibilizar ao comprador. Com prazos de até 25 anos, esses acordos oferecem uma oportunidade de garantir preços baixos por anos a fio, protegendo compradores corporativos contra uma volatilidade futura no preço de energia. Essa exposição reduzida à volatilidade do mercado oferece uma visão de custos mais clara, de uma perspectiva de capital circulante – uma vantagem crucial quando o futuro econômico permanece incerto.

Enquanto isso, com diversas empresas da região se comprometendo a alimentar suas operações com 100% de energia renovável no futuro próximo, PPAs bilaterais com produtores de energia renovável oferecem uma vitória rápida pelo cumprimento das metas ambientais. Assinar um PPA de energia renovável pode ajudar companhias a diminuir suas emissões de carbonos de um modo transparente e rastreável, oferecendo a oportunidade de tornar sua marca mais verde e sustentável.

Outra característica inovadora dessas estruturas, e uma nova tendência no Brasil em particular, é a habilidade de reduzir riscos relacionados à moeda, ao denominar PPAs em, por exemplo, dólares americanos. Diversos PPAs assinados recentemente entre nós da Atlas Renewable Energy e corporações brasileiras são um exemplo perfeito disso. A Atlas firmou PPAs em dólares para novos investimentos, em valores superiores a 350 milhões de dólares, para fornecer mais de 1,180 GWh por ano em contratos de 15 anos com grandes clientes industriais.

Para quem são os PPAs?

Embora empresas de tecnologia dominem globalmente a aquisição de energia limpa através de PPAs, devido às suas grandes demandas energéticas – o maior comprador de energia limpa por PPAs ano passado foi o Google, com 2.7GW, mais que qualquer outra corporação – na América Latina, são as mineradoras que lideram a corrida, particularmente no Brasil e Chile.

Entretanto, com corporações de todos os tamanhos na região se atentando para as oportunidades de uma redução significativa na redução de CO2, e de aumentar sua competitividade com a rápida queda no custo de energias renováveis, nós vemos interesse de uma grande variedade de setores, desde fábricas até empresas de varejo, processamento, transporte, centros de dados, óleo & gás. As possibilidades são praticamente infinitas – desde fabricantes de cerveja procurando por meios ecológicos de energizar sua produção, até companhias químicas em busca de maneiras mais econômicas de suprir suas fábricas, PPAs bilaterais de energia renovável podem ser a resposta.

Os PPAs também não se limitam apenas às grandes multinacionais. Existe uma tendência global crescente de empresas menores dentro da mesma indústria, que se juntam para agregar seu poder de compra e negociar PPAs em grupo, e esperamos que essa tendência também vá se firmar na América Latina, com cada vez mais empresas decidindo aderir aos custos baixos e previsíveis da energia solar e eólica.

Uma tendência crescente

Embora a adoção de PPAs corporativos na América Latina esteja atrasada em relação ao resto do mundo, nós acreditamos que seja primeiramente devido a uma falta de consciência quanto aos seus benefícios. Nesse sentido, a Atlas Renewable Energy é um parceiro ideal para grandes consumidores de energia que buscam cortar custos e limpar suas emissões de carbono.

Na Atlas Renewable Energy, nossa equipe tem uma sólida formação e experiência em estruturar PPAs corporativos, desde o conceito até a operação. De fato, foi a mesma equipe de gestão que assinou o primeiro PPA de energia solar na América Latina, em 2012. Nós presenciamos reformas regulatórias de larga escala em muitos mercados nos quais participamos, que pavimentaram a estrada para contratos bilaterais de energia renovável. PPAs corporativos já são uma característica comum de mercados na América do Norte, Europa, Oriente Médio e África, e, conforme a novidade se espalha pela América Latina, PPAs corporativos na região vão ter presença cada vez mais forte.

A tendência, tanto global quanto regionalmente, aponta para o aumento dos PPAs de energia solar e eólica nos próximos anos. Não importa o setor ou a região, um PPA pode ser encontrado para satisfazer as necessidades específicas de cada empresa. Encontrar o parceiro certo para desenvolver uma solução ágil, de baixo custo, e sem complicações, vai ser uma vantagem competitiva para empresas, permitindo que demonstrem suas credenciais ecológicas reais ao gerenciar custos e obter segurança energética.

Fontes:

https://www.bakermckenzie.com/-/media/files/insight/publications/2018/07/fc_emi_riseofcorporateppas_jul18.pdf?la=en
https://pv-magazine-usa.com/2017/03/20/solar-goes-corporate-the-rise-of-the-bilateral-ppa/

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