O governo Biden tem como meta transformar os Estados Unidos em uma economia de energia 100% limpa até 2050. Analisamos o que isso significa para o setor de energias renováveis.

“Neste momento de crise profunda, temos a oportunidade de construir uma economia mais resiliente e sustentável – que colocará os Estados Unidos em um caminho irreversível para alcançar emissões líquidas zero em toda a economia” – Presidente Joe Biden.

Ao tomar posse em 20 de janeiro, o presidente Joe Biden começou imediatamente a trabalhar em sua promessa de campanha de levar os EUA a um futuro verde. Assinando uma série de ordens executivas, ele ordenou que as agências federais adquirissem energia livre de carbono, conduzissem o desenvolvimento de tecnologias de energia limpa, e acelerassem projetos de geração e transmissão de energia limpa. Seu governo quer eliminar a poluição de combustíveis fósseis no setor de energia até 2035 e na totalidade da economia americana até 2050. Ele ainda pretende investir US$ 2 trilhões em quatro anos para que isso aconteça.

O plano climático proposto por Biden deverá resultar em mudanças significativas na política energética dos EUA. Eis o que esperar.

NÃO HAVERÁ MAIS ASSISTÊNCIA AO DESENVOLVIMENTO DE COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS

A rede de energia movida a combustíveis fósseis gera 28% das emissões dos EUA, e o novo presidente pretende zerar isso rapidamente através da interrupção do arrendamento de terras federais para a exploração de petróleo, gás e da retirada dos subsídios para essas indústrias, além de estabelecer limites agressivos de poluição por metano para as operações novas e existentes de petróleo e gás, o que provavelmente aumentará os custos das já marginais operações de prospecção de petróleo e gás nos Estados Unidos.

PRECIFICANDO O CARBONO PARA FORA DO MERCADO

Em uma declaração por escrito às perguntas dos membros da Comissão de Finanças do Senado, Janet Yellen, nomeada pelo presidente Biden para dirigir o Departamento do Tesouro, disse: “Não podemos resolver a crise climática sem a precificação efetiva do carbono. O presidente apoia um mecanismo de fiscalização que exige que os poluidores arquem com o custo total da poluição do carbono que estão emitindo”. Espera-se que um imposto nacional sobre o carbono seja implementado nos EUA, criando um impacto negativo direto nos resultados financeiros das empresas poluidoras, tornando a energia limpa e renovável mais competitiva do que os combustíveis tradicionais.

REPENSANDO A POLÍTICA COMERCIAL

Em 2018, a administração Trump impôs uma tarifa de 30% por quatro anos sobre painéis solares importados, o que impediu a implantação de 10,5 gigawatts de energia solar que, de outra forma, seriam construídos, de acordo com análise da Associação das Indústrias de Energia Solar, o maior grupo comercial do setor. Essa associação solicitou ao presidente Biden que removesse essas tarifas, a fim de ajudar a reduzir os preços e atingir sua meta de fornecer 20% da eletricidade dos EUA até 2030, contra apenas 3% atualmente. Embora a nova administração dos EUA ainda não tenha tomado nenhuma decisão sobre isso, a pressão dos órgãos da indústria dos EUA está crescendo e é provável que, no curto prazo, o presidente Joe Biden procure rever as tarifas de importação sobre equipamentos de energia solar.

NOVOS INCENTIVOS PARA A ENERGIA RENOVÁVEL

À medida que o governo dos EUA procura tornar seu plano operacional, são esperadas extensões dos créditos fiscais existentes para energia renovável,. Como parte da Lei de 2020 de Alívio Fiscal de Desastres e Segurança do Contribuinte do ex-presidente Trump, a expiração do crédito fiscal de produção (CFP) para energia eólica e algumas outras tecnologias de energia renovável foi adiada por mais um ano, para o final de 2021, enquanto a redução gradual do crédito fiscal de investimento (CFI), aplicável à energia solar e a alguns outros projetos de energia renovável, foi congelada por dois anos.

Como esses créditos permanecem vitais para o desenvolvimento da indústria de energia renovável e para a continuidade do potencial de crescimento dos EUA, que busca se recuperar do impacto econômico da pandemia, mais incentivos fiscais podem ser esperados, com o potencial de créditos reembolsáveis podendo ser alavancados em estruturas de financiamento para investimentos em energia renovável.

OS NÚMEROS VÃO SE SOMANDO…

Além das implicações políticas, os aspectos práticos de tornar a rede elétrica da maior economia do mundo mais verde em apenas 15 anos, tornam isso uma façanha nada fácil: os desenvolvedores de capacidade renovável terão que triplicar imediatamente seu ritmo de instalação a partir de 2020 para atingir a meta de Biden, de acordo com um estudo da Universidade da Califórnia pela Escola de Políticas Públicas Goldman de Berkeley.

No entanto, os pesquisadores descobriram que a queda contínua do preço da energia solar e eólica significará que a remoção de cerca de 90% das emissões da rede elétrica até 2035, reduziria os preços da eletricidade no atacado em 10%, enquanto a melhoria do armazenamento em bateria garantirá a confiabilidade da nova rede mais limpa dos EUA. De fato, o plano do presidente Biden é financeiro e economicamente viável.

… PARA UM BOM IMINENTE DA INFRA-ESTRUTURA AMBIENTAL

Além da pesquisa acadêmica, a atividade do mercado de capitais indica também que um sentimento positivo está crescendo por trás do plano do presidente Biden. Na semana anterior à posse do presidente, segundo dados da Lipper, os fundos de energia alternativa registraram um influxo de US$ 4 bilhões, onde os investidores apostaram em uma perspectiva brilhante para as empresas de energia renovável. Para colocar isso em perspectiva, durante todo o ano de 2020, o total de influxos foi de apenas US$ 17,1 bilhões.

PLANOS AMBICIOSOS

O escopo e o alcance da agenda de energia limpa da nova administração é certamente ambicioso, mas acreditamos que isso demonstra um alinhamento entre o governo e um número crescente de empresas americanas influentes e mundialmente reconhecidas, que se comprometeram com a energia 100% renovável como parte da iniciativa RE100. Essas empresas, que incluem Apple, American Express, Facebook, General Motors e Google, já assinaram PPAs para energia renovável em vários países, inspirando muitos outros a seguirem o exemplo.

Até agora, no entanto, os EUA eram citados pelos membros do RE100 como um “mercado desafiador” para o abastecimento corporativo devido à “falta de liderança do governo federal”. Com a nova política climática da administração Biden, isso provavelmente mudará e esperamos ver um aumento na demanda das empresas em vários setores da indústria – do varejo à manufatura, indústria pesada e muito mais.

Não é apenas a América corporativa que apoia a transição energética. De acordo com uma pesquisa feita pela Associação das Indústrias de Energia Solar (AIES), 90% dos americanos, independentemente de crenças políticas, apoiam a energia solar,.

As metas referente ao clima e à energia do governo Biden são ousadas, mas a Associação Americana de Energia Limpa (AEL), um grupo comercial recém-formado, declarou que a indústria de energia renovável está pronta para ajudar o país a alcançá-las e na Atlas Renewable Energy, estamos somando nossa voz à de nossos colegas nos Estados Unidos.

Desde 2017, desenvolvemos, construímos e operamos projetos de energia renovável em grande escala que permitirão a transição energética em toda a América Latina. Fomos os primeiros a implementar um PPA de energia solar privada no Chile há cerca de oito anos e, desde então, continuamos avançando na adoção de energia renovável por grandes consumidores de energia. Com uma das maiores bases de ativos solares da região, assinamos um recorde de 660 MW em PPAs corporativos em 2020, tornando-nos o maior desenvolvedor na região da América Latina por volume contratado, de acordo com a Bloomberg. Já somos um parceiro confiável para multinacionais dos EUA como a Dow e a Anglo American e esperamos apoiar um número crescente de empresas a reduzir suas emissões de CO₂ em prol de um futuro mais verde em toda a região.

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