No ano passado, as vendas do Certificado Internacional de Energia Renovável (I-REC) no Brasil mais que dobraram para 9,5 milhões, contra 4 milhões em 2020. A Atlas Renewable Energy analisa a tendência e explica o que as empresas precisam saber antes de usar o I- RECs para atingir seus objetivos de sustentabilidade. 

“Estamos recebendo um número crescente de consultas de empresas internacionais e nacionais com operações no Brasil sobre I-RECs”, afirma Felipe Maldonado, analista comercial da Atlas Renewable Energy, que detém um dos maiores portfólios de energia solar do Brasil, com quase 1,6 GW de projetos contratados. Recentemente, tornou-se o primeiro desenvolvedor solar do país a oferecer RECs brasileiros que promovem todos os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas.

“Essas consultas se dividem em dois grupos principais: as empresas que já conhecem os I-RECs e querem adquiri-los e as que buscam orientação”, diz Maldonado. Ele acrescenta que as empresas estão particularmente interessadas em entender como os I-RECs podem ajudá-las a atingir suas metas de sustentabilidade e como elas diferem de outros instrumentos, como os créditos de carbono.  

I-RECs são apenas parte da solução

Embora possa ser tentador para os executivos pensar que a simples compra de I-RECs é suficiente para se tornar “verde”, isso está longe de ser o caso. Numerosos órgãos reguladores em todo o mundo, desde a Securities Exchange Commission nos Estados Unidos até a Autoridade Monetária de Cingapura, estão reprimindo a chamada lavagem verde corporativa, impondo normas de divulgação em relatórios ambientais, sociais e de governança (ESG) tão vigorosamente quanto defendem regras para outros relatórios corporativos. Não há atalhos aqui, mas os I-RECs devem – e podem – ser usados como parte de uma estratégia de ação climática integrada mais ampla. 

“O primeiro passo é fazer um inventário de carbono para saber o nível de emissão de CO2 da sua empresa”, diz Maldonado. Munidas dessas informações, as empresas podem então tomar medidas para reduzir sua pegada de carbono, por meio de mudanças nas práticas de produção, transporte e fabricação, por exemplo. Para grandes usuários de eletricidade, fazer a mudança para energias renováveis através de uma parceria com a Atlas é uma maneira óbvia de reduzir as emissões. “Onde entram os I-RECs – e outros instrumentos como os créditos de carbono – é para aquelas emissões que são impossíveis de serem reduzidas”, explica Maldonado.

Globalmente, o mercado I-REC ainda está em um estágio relativamente incipiente, mas a demanda está aumentando à medida que mais e mais empresas se comprometem com 100% de consumo de energia renovável e com os objetivos de divulgação para o clima, estabelecidos pelo CDP e pela RE100.

“Embora ainda não seja obrigatório para as empresas neutralizar sua pegada de carbono, muitos líderes empresariais estão adotando medidas proativas para alinhar sua estratégia ambiental com as melhores práticas globais”, diz Maldonado, acrescentando que o crescente risco à reputação e a pressão dos clientes estão levando um número cada vez maior de empresas a procurarem formas de reduzir suas emissões de CO2. “Nossa abordagem na Atlas é fazer parcerias com essas empresas para ajudá-las a alavancar os I-RECs para atingir seus objetivos”. 

Evitando a lavagem verde

Esses objetivos incluem o cumprimento das metas externas e internas de energia renovável, bem como dar substância real às reivindicações ambientais – ajudando-os a evitar a lavagem verde. “Um I-REC evita as emissões geradas pelo uso de 1 MWh”, diz Maldonado. Em 2021, cada 1MWh de energia consumida no Brasil criou 120 kg de emissões de carbono – acima dos cerca de 50 kg em 2020. Esse grande aumento foi causado pelo aumento da geração termelétrica como resultado da pior seca em quase um século, que viu a capacidade hidrelétrica do país cai à medida que as barragens secavam. 

“Em um país como o Brasil, onde os efeitos das mudanças climáticas já são tão visíveis, as empresas que levam a sério o combate às suas emissões podem fazer uma declaração importante por meio do uso dos I-RECs, que lhes permitem fazer certas afirmações sobre seu impacto climático,” diz Maldonado, acrescentando que várias empresas buscam fazer isso para fortalecer o valor de sua marca e ganhar uma vantagem competitiva na futura economia de baixo carbono. “No entanto, é vital fazer isso da maneira certa. Antes de fazer qualquer reclamação, eles precisam contratar uma consultoria para verificar se estão usando o número apropriado de I-RECs para compensar suas emissões. Ao fazer isso, a empresa – e seus clientes – podem garantir que estão alinhados com a orientação do Escopo 2 do GHG Protocol”. 

Ganhando a adesão interna

Dado o atual cenário econômico e geopolítico global, convencer unidades de negócios já sobrecarregadas a investir em I-RECs ou realizar atividades voluntárias de ação climática é muitas vezes um desafio para os responsáveis pela sustentabilidade nas grandes empresas. “De forma esmagadora, as equipes ESG enfrentam desafios no desenvolvimento de um roteiro para atingir o net-zero”, diz Maldonado. “A administração quer relatar suas emissões de carbono e reduzir suas pegadas, e eles querem demonstrar credibilidade para investidores, clientes, sociedade civil e outras partes interessadas, mas encontrar uma maneira de fazer isso e, ao mesmo tempo, liderar a empresa em tempos desafiadores, muitas vezes representa uma barreira”.

No entanto, as empresas não precisam fazer isso sozinhas. Várias empresas de consultoria podem ajudá-las a desenvolver uma estratégia I-REC que melhor corresponda aos seus objetivos.

“Para empresas que não possuem experiência interna em contabilidade de GEE, o contato para obter isso tende a ser através de um corretor ou de uma empresa de consultoria. Estes intermediários garantem que seus clientes comprem I-RECs para ajudar a compensar suas emissões adequadamente, tirando a incerteza do processo”, diz Maldonado. “À medida que as conversas internas evoluem e os executivos dentro das empresas se tornam mais familiarizados com os detalhes mais específicos da descarbonização, eles tendem a nos contatar diretamente através de suas equipes internas de ESG ou sustentabilidade.”

Contribuindo para um futuro mais sustentável para o Brasil

À medida que mais e mais empresas com operações no Brasil buscam maneiras tangíveis de cumprir seus compromissos de energia renovável, os I-RECs estão demonstrando seu valor como a maneira mais confiável de contabilizar, rastrear e atribuir a propriedade de energia renovável, bem como incentivar a geração de mais eletricidade limpa, fornecendo um sinal de demanda para mercado.


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